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“Nós vivemos na Era do Fim” – Uma entrevista com Dari Dugina

Quinta-feira, 12.06.14

 

 

 

 

            Dari, você é uma Eurasianista da segunda geração, filha do nosso mais importante pensador e líder, Alexander Dugin. Você se importa em dividir conosco os seus pensamentos sobre ser uma jovem militante nessa altura da Kali Yuga?

            Nós vivemos na era do fim – este é o fim da cultura, da filosofia, da política, da ideologia. Este é o tempo sem movimento real; a sombria profecia de Fukuyama sobre o “fim da história” torna-se uma espécie de realidade. Essa é a essência da Modernidade, da Kali Yuga. Nós estamos vivendo no momento do Finis Mundi. A chegada do Anticristo está nessa agenda. A noite exaustiva e profunda é o reino da quantidade, mascarado por conceitos tentadores como o Rizoma de Gilles Deleuze: os pedaços do Sujeito moderno se transformam na “presidenta” do filme “Tokyo Gore Police” (filme pós-moderno japonês) – o indivíduo do paradigma moderno se transforma nos pedaços do divíduo. “Deus está morto” e seu lugar é ocupado pelos fragmentos do indivíduo. Mas se nós fizermos uma análise política, vamos descobrir que essa nova condição do mundo é o projeto do liberalismo. As ideias extravagantes de Foucault, aparentemente revolucionárias em seu pathos, depois de uma análise mais escrupulosa mostram sua base conformista e (secretamente) liberal, que vai contra a hierarquia tradicional de valores, estabelecendo uma “nova ordem” pervertida na qual o topo é ocupado pelo indivíduo que cultua a si mesmo em sua decadência atomista. É difícil lutar contra a modernidade, mas certamente é insuportável viver nela – concordar com esse estado de coisas onde todos os sistemas estão transfigurados e os valores tradicionais tornaram-se uma paródia, purgados e ridicularizados em todas as esferas de controle sob os paradigmas modernos. Este é o reino da hegemonia cultural. E esse estado do mundo nos incomoda. Lutamos contra ele – pela ordem divina, pela hierarquia ideal. No mundo moderno o sistema de castas está completamente esquecido e transformado em uma paródia. Mas ele tem um ponto fundamental. Na república de Platão – lá está um pensamento muito interessante e importante: as castas e a hierarquia vertical na política são simplesmente o reflexo do mundo das ideias e do bem superior. Este modelo de política manifesta os princípios metafísicos básicos do mundo normal (espiritual). Com a destruição do sistema primordial de castas na sociedade, a dignidade do ser divino e sua Ordem são negadas. Renunciando ao sistema de castas e à ordem tradicional, brilhantemente descritos por Dumézil, nós prejudicamos a hierarquia de nossa alma. Nossa alma nada mais é do que o sistema de castas com uma ampla harmonia de justiça que une as três partes da alma (a filosófica – o intelecto, o guardião – a vontade, e os comerciantes – o desejo). Lutando pela tradição nós estamos lutando por nossa profunda natureza como criaturas humanas. O homem não é algo dado – ele é o objetivo. E nós estamos lutando pela verdade da natureza humana (ser humano é buscar a sobrehumanidade). Isto pode ser chamado guerra santa.

            O que a Quarta Teoria Política significa para você?

            Ela é a luz da verdade, de algo raramente autêntico nos tempos pós-modernos. É a ênfase correta nos graus da existência – os acordes naturais das leis do mundo. Ela é algo que cresce sobre as ruínas da experiência humana. Não pode haver sucesso sem as primeiras tentativas – todas as ideologias passadas continham em si mesmas aquilo que causou seu fracasso.

            A Quarta Teoria Política – este é o projeto das melhores partes da ordem divina que podem se manifestar em nosso mundo – do liberalismo tomamos a ideia de democracia (mas não em seu significado moderno) e liberdade no sentido evoliano; do comunismo aceitamos a ideia de solidariedade, anticapitalismo, anti-individualismo e a ideia de coletivismo; do fascismo tomamos o conceito de hierarquia vertical e a vontade de poder – o código heroico do guerreiro Indo-europeu.

            Todas estas ideologias passadas sofreram de graves deficiências – democracia com o acréscimo de liberalismo virou tirania (o pior tipo de regime segundo Platão), o comunismo defendeu um mundo tecnocêntrico sem tradições nem origens, o fascismo seguiu uma orientação geopolítica errada e o seu racismo era Ocidental, Moderno, liberal e antitradicional.

            A Quarta Teoria Política é a transgressão global destes defeitos – o desenho final da história futura (e em aberto). É o único caminho para defender a verdade.

            Para nós, a verdade é o mundo multipolar, a florescente variedade de diferentes culturas e tradições.

            Nós somos contra o racismo, contra o racismo cultural e estratégico da civilização ocidental moderna dos Estados Unidos, que é perfeitamente descrita pelo professor John M. Hobson em “A concepção Europocêntrica da política mundial”. O racismo estrutural (aberto ou subliminar) destrói a encantadora complexidade das sociedades humanas – primitivas ou complexas.

            Você encontra desafios específicos em ser tanto uma jovem mulher quanto uma ativista nessa época?

                Essa guerra espiritual contra o mundo (pós) moderno me dá a força para viver.

            Eu sei que estou lutando contra a hegemonia do mal pela verdade da Tradição eterna. Ela está obscurecida agora, não completamente perdida. Sem ela nada poderia existir.

            Eu penso que ambos os gêneros e qualquer idade têm suas formas de acessar a Tradição e seus modos de desafiar a Modernidade.

            Minha prática existencial é abdicar da maioria dos valores da juventude globalista. Eu penso que precisamos ser diferentes desse lixo. Não acredito em coisa moderna alguma. A Modernidade está sempre errada.

            Eu considero o amor uma forma de iniciação e realização espiritual. E a família deve ser a união de pessoas espiritualmente similares.

            Além do seu pai, obviamente, quais outros autores você sugeriria aos jovens militantes que queiram aprender mais sobre nossas ideias?

            Eu recomendo que se familiarizem com os livros de René Guenón, Julius Evola, Jean Parvulesco, Henri Corbin, Claudio Mutti, Sheikh Imran Nazar Hosein (tradicionalismo); Platão, Proclo, Schelling, Nietzsche, Martin Heidegger, E. Cioran (filosofia); Carl Schmitt, Alain de Benoist, Alain Soral (política); John M. Hobson, Fabio Petito (Relações Internacionais); Gilbert Durand, G. Dumézil (sociologia). O kit básico de leitura para nossa revolução intelectual e política.

            Você passou agora algum tempo vivendo na Europa Ocidental. Como você compararia o estado do Oeste ao do Leste, depois dessa experiência em primeira mão?

            De fato, antes da minha chegada à Europa eu pensava que esta civilização estava absolutamente morta e que nenhuma revolta seria possível lá. Eu comparava a Europa moderna liberal à alguém atolado em um pântano, sem possibilidade de protesto contra a hegemonia do liberalismo.

            Lendo a imprensa estrangeira européia, vendo os artigos com títulos como “Putin – o satã da Rússia” / “a vida luxuosa do pobre presidente Putin” / “Pussy Riot – as grandes mártires da apodrecida Rússia” – essa ideia estava quase confirmada. Mas depois de algum tempo eu encontrei alguns grupos políticos antiglobalistas e movimentos da França – como o Égalité & Réconciliation, Engarda, Fils de France, etc – e tudo mudou.

            Os pântanos da Europa se converteram em algo mais – com a possibilidade oculta de revolta. Eu encontrei a “outra Europa”, o “alternativo” Império oculto, o pólo geopolítico secreto.

             A verdadeira Europa secreta devia ser despertada para lutar e destruir sua réplica liberal.

          Agora eu estou absolutamente certa de que existem duas Europas, absolutamente diferentes – a liberal e decadente Europa Atlantista e a Europa alternativa (antiglobalista, antiliberal, orientada à Eurásia).

         Guenón escreveu em “A Crise do Mundo Moderno” que nós devemos distinguir entre ser antimoderno e ser antiocidental. Ser contra a modernidade é ajudar o Ocidente em sua luta contra a Modernidade, a qual é construída sobre códigos liberais. A Europa tem sua própria cultura fundamental (eu recomendo o livro de Alain de Benoist – “As tradições da Europa”). Então eu encontrei essa Europa alternativa, secreta, poderosa, Tradicionalista e eu coloco as minhas esperanças em seus guardiões secretos.

            Em outubro nós organizamos com o Égalité & Réconciliation uma conferência em Bordeaux com Alexander Dugin e Christian Bouchet, a sala era enorme e mesmo assim os lugares não foram suficientes para todos os que queriam assistir a essa conferência.

            Isso mostra que algo está começando a se mover...

            A respeito de minhas opiniões sobre a Rússia – eu tenho notado que a maior parte dos europeus não confia nas informações da mídia – e o interesse pela Rússia vem crescendo – vê-se pelo modo como aprendem Russo, assistem a filmes soviéticos e muitos europeus entendem que a mídia da Europa está totalmente influenciada pelo Leviatã hegemônico, a máquina de mentiras globalista e liberal.

            Então as sementes do protesto estão no solo, com o tempo elas vão brotar, destruindo a “sociedade do espetáculo”.

            Sua família inteira é uma grande inspiração cá para nós do Open Revolt e do New Resistance. Você tem uma mensagem para os seus amigos e camaradas na América do Norte?

            Eu realmente não posso deixar de admirar seu trabalho revolucionário intensivo! A maneira pela qual vocês estão trabalhando – através dos meios de comunicação – é a forma de matar o inimigo “por seu próprio veneno”, usando a estratégia da guerra de redes. Evola falou sobre isso em seu excelente livro “Cavalgar o Tigre”.

            Uomo differenzziato é alguém que permanece no centro da civilização moderna, mas não a aceita no império interior de sua alma heroica. Ele pode usar os meios e armas da modernidade para causar uma ferida mortal ao reino da quantidade e seus golems.

            Eu posso compreender que a situação nos EUA agora é difícil de suportar. É o centro do inferno, mas Hölderlin escreveu que o herói deve lançar-se ao abismo, no coração da noite e assim conquistar a escuridão.

            Algum pensamento que você gostaria de compartilhar como encerramento?

            Estudando na faculdade de filosofia e trabalhando com Platão e o neoplatonismo, eu posso perceber que a política não é nada além da manifestação dos princípios metafísicos básicos que repousam no fundamento do ser.

            Ao fazer a guerra política pela Quarta Teoria Política, nós também estamos estabelecendo a ordem metafísica – manifestando-a no mundo material.

        Nossa batalha não é apenas pelo estado ideal humano – ela é também a guerra santa para o restabelecimento da ontologia correta.

 

Fonte: Open Revolt

 

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publicado por Azunizar às 02:56

Eremildo o Idiota.

Terça-feira, 10.06.14

 

 

 

Eremildo, o Idiota, é uma das grandes criações de Elio Gaspari, Junto com outra personagem do Elio, Madame Natasha, compõe uma dupla maravilhosa que, como Don Quixote, luta contra os moinhos de vento de nossa política e contra todas as idéias que não sejam suas, claro ambos são maniqueístas e verborrágicos na sua paralogia e cujo normoscópio ficou travado no academicismo cultural o que lhes faz andar em círculos.

O problema do Eremildo é que ele procura entender o que se passa na política, na economia e em tudo por onde deita os olhos. Tenta decifrar os comunicados oficiais, o que não é tarefa para pobres mortais. É idiota por tentar entender o que não é para ser entendido. É duplamente idiota por jamais ter lido George Orwell, de cuja pena saiu a antológica frase “Ignorar é ser feliz”.

Não que vá aceitar explicações dadas pelos poderosos, até por não existirem. Irei, simplesmente, fingir que as questões jamais foram, nem deveriam ter sido, colocadas. Serei feliz na minha santa ignorância.

Não mais perguntarei a razão pela qual a política ou a economia é fruto de uma matemática cabalística, é provável que o Eremildo tenha lá as suas explicações, mas não podemos esquecer que ele é idiota.

Seria super-avaliar minha capacidade cognitiva tentar explicar a figura do Eremildo e as suas diatribes falaciosas.

E, por fim, desejo alertar a todos que tenho crises e acessos de raiva quando algum incauto acha que é possível me explicar como uma conjuntura política institucional e econômica, com meras teorias possa ser explicada, quando o mais elementar entendimento contradiz essas imposturas. Tais explicações deveriam ser incluídas nas penas impostas a crimes hediondos.

 

 

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publicado por Azunizar às 03:44

Vergonha do Brasil e de ser brasileiro.

Terça-feira, 10.06.14

 

 

Ao contrário de alguns, não sinto nenhuma vergonha do meu país.

 

 

Não sinto vergonha dos 36 milhões de brasileiros que conseguiram sair daquilo que Gandhi chamava de a “pior forma de violência”, a miséria.

 

Agora, eles podem sonhar mais e fazer mais. Tornaram-se cidadãos mais livres e críticos. Isso é muito bom para eles e muito melhor para o Brasil, que fica mais justo e fortalecido. E isso é também muito bom para mim, embora eu não me beneficie diretamente desses programas. Me agrada viver em um país que hoje é um pouco mais justo do que era no passado.

 

 

Também não sinto vergonha dos 42 milhões de brasileiros que, nos últimos 10 anos, ascenderam à classe média, ou à nova classe trabalhadora, como queiram.

 

 

Eles dinamizaram o mercado de consumo de massa brasileiro e fortaleceram bastante a nossa economia. Graças a eles, o Brasil enfrenta, em condições bem melhores que no passado, a pior crise mundial desde 1929. Graças a eles, o Brasil está mais próspero, mais sólido e menos desigual. Ao contrário de alguns, não me ressinto dessa extraordinária ascensão social. Sinto-me feliz em tê-los ao meu lado nos aeroportos e em outros lugares antes reservados a uma pequena minoria. Sei que, com eles, o Brasil pode voar mais alto.

 

 

Não tenho vergonha nenhuma das obras da Copa, mesmo que algumas tenham atrasado. Em sua maioria, são obras que apenas foram aceleradas pela Copa. São, na realidade, obras de mobilidade urbana e de aperfeiçoamento geral da infraestrutura que melhorarão a vida de milhões de brasileiros. Estive no aeroporto de Brasília e fiquei muito bem impressionado com os novos terminais e com a nova facilidade de acesso ao local. Mesmo os novos estádios, que não consumiram um centavo sequer do orçamento, impressionam. Lembro-me de velhos estádios imundos, inseguros, desconfortáveis e caindo aos pedaços. Me agrada saber que, agora, os torcedores vão ter a sua disposição estádios decentes. Acho que eles merecem. Me agrada ainda mais saber que tido isso vem sendo construído com um gasto efetivo que representa somente uma pequena fração do que é investido em Saúde e Educação. Gostaria, é claro, que todas as obras do Brasil fossem muito bem planejadas e executadas. Que não houvesse aditivos, atrasos, superfaturamentos e goteiras. Prefiro, no entanto, ver o Brasil em obras que voltar ao passado do país que não tinha obras estruturantes, e tampouco perspectivas de melhorar.

 

 

Tranquiliza-me saber que o Brasil tem um sistema de saúde público, ainda que falho e com grandes limitações. Já usei hospitais públicos e, mesmo com todas as deficiências do atendimento, sai de lá curado e sem ter gasto um centavo. Centenas de milhares de brasileiros fazem a mesma coisa todos os anos. Cerca de 50 milhões de norte-americanos, habitantes da maior economia do planeta e que não têm plano de saúde, não podem fazer a mesma coisa, pois lá não há saúde pública. Obama, a muito custo, está encontrando uma solução para essa vergonha. Gostaria, é óbvio, que o SUS fosse igual ao sistema de saúde pública da França ou de Cuba. Porém, sinto muito orgulho do Mais Médicos, um programa que vem levando atendimento básico à saúde a milhões de brasileiros que vivem em regiões pobres e muito isoladas. Sinto alívio em saber que, na hora da dor e da doença, agora eles vão ter a quem recorrer. Sinto orgulho, mas muito orgulho mesmo, desses médicos que colocam a solidariedade acima da mercantilização da medicina.

 

 

Estou também muito orgulhoso de programas como o Prouni, o Reuni, o Fies, o Enem e os das cotas, que estão abrindo as portas das universidades para os mais pobres, os afrodescendentes e os egressos da escola pública.

 

 

Tenho uma sobrinha extremamente talentosa que mora no EUA e que conseguiu a façanha de ser aceita, com facilidade, nas três melhores universidades daquele país. Mas ela vai ter de estudar numa universidade de segunda linha, pois a família, muito afetada pela recessão, não tem condição de pagar os custos escorchantes de uma universidade de ponta. Acho isso uma vergonha.

 

 

Não quero isso para o meu país. Alfabetizei-me e fiz minha graduação e meu mestrado em instituições públicas brasileiras. Quero que todos os brasileiros possam ter as oportunidades que eu tive. Por isso, aplaudo a duplicação das vagas nas universidades federais, a triplicação do número de institutos e escolas técnicas, o Pronatec, o maior programa de ensino profissionalizante do país, o programa de creches e pré-escolas e o Ciência Sem Fronteiras. Gostaria, é claro, que a nossa educação pública já fosse igual à da Finlândia, mas reconheço que esses programas estão, aos poucos, construindo um sistema de educação universal e de qualidade.

 

 

Tenho imenso orgulho da Petrobras, a maior e mais bem-sucedida empresa brasileira, que agora é vergonhosamente atacada por motivos eleitoreiros e pelos interesses daqueles que querem botar a mão no pré-sal. Nos últimos 10 anos, a Petrobras, que fora muito fragilizada e ameaçada de privatização, se fortaleceu bastante, passando de um valor de cerca de R$ 30 bilhões para R$ 184 bilhões. Não bastasse, descobriu o pré-sal, nosso passaporte para o futuro.

 

 

Isso seria motivo de orgulho para qualquer empresa e para qualquer país. Orgulha ainda mais, porém, o fato de que agora, ao contrário do que acontecia no passado, a Petrobras dinamiza a indústria naval e toda a cadeia de petróleo, demandando bens e serviços no Brasil e gerando emprego e renda aqui; não em Cingapura. Vergonha era a Petrobrax. Pasadena pode ter sido um erro de cálculo, mas a Petrobrax era um crime premeditado.

 

 

Vejo, com satisfação, que hoje a Polícia Federal, o Ministério Público, a CGU e outros órgãos de controle estão bastante fortalecidos e atuam com muita desenvoltura contra a corrupção e outros desmandos administrativos. Sei que hoje posso, com base na Lei da Transparência, demandar qualquer informação a todo órgão público. Isso me faz sentir mais cidadão. Estamos já muito longe da vergonha dos tempos do “engavetador-geral”. Um tempo constrangedor e opaco em que se engavetavam milhares processos e não se investigava nada de significativo.

 

 

Também já se foram os idos vergonhosos em que tínhamos que mendigar dinheiro ao FMI, o qual nos impunha um receituário indigesto que aumentava o desemprego e diminuía salários. Hoje, somos credores do FMI e um país muito respeitado e cortejado em nível mundial. E nenhum representante nosso se submete mais à humilhação de ficar tirando sapatos em aeroportos. Sinto orgulho desse país mais forte e soberano.

 

Um país que, mesmo em meio à pior recessão mundial desde 1929, consegue alcançar as suas menores taxas de desemprego, aumentar o salário mínimo em 72% e prosseguir firme na redução de suas desigualdades e na eliminação da pobreza extrema.

 

Sinto alegria com esse Brasil que não mais sacrifica seus trabalhadores para combater as crises econômicas.

 

 

Acho que não dá para deixar de se orgulhar desse novo país mais justo igualitário e forte que está surgindo. Não é ainda o país dos meus sonhos, nem o país dos sonhos de ninguém. Mas já é um país que já nos permite sonhar com dias bem melhores para todos os brasileiros. Um país que está no rumo correto do desenvolvimento com distribuição de renda e eliminação da pobreza. Um país que não quer mais a volta dos pesadelos do passado.

 

 

Esse novo país mal começou. Sei bem que ainda há muito porque se indignar no Brasil.

 

E é bom manter essa chama da indignação acessa. Foi ela que nos trouxe até aqui e é ela que nos vai levar a tempos bem melhores. Enquanto houver um só brasileiro injustiçado e tolhido em seus direitos, todos temos de nos indignar.

 

Mas sentir vergonha do próprio país, nunca. Isso é coisa de gente sem-vergonha.

 

 

(*) Marcelo Zero é formado em Ciências Sociais pela UnB

 

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/06/vergonha-brasil-e-de-ser-brasileiro.html

 

 

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publicado por Azunizar às 02:49

Revelações Apocalípticas de Chico Xavier

Segunda-feira, 09.06.14

 

 

 

Prof. Marcos Coimbra

 

Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.

 

(Artigo de 06.11 no Vila em Foco).

 

Recebemos pela Internet importante mensagem que versa sobre matéria publicada no exemplar nº 439, ano XXXV, de maio de 2011, do jornal Folha Espírita, relatando revelação, feita em 1986, pelo médium Francisco Cândido Xavier ao Sr. Geraldo Lemos Neto, fundador da Casa de Chico Xavier de Pedro Leopoldo (MG) e da Vinha de Luz Editora (BH-MG), sobre o futuro reservado ao planeta Terra e a todos os seus habitantes nos próximos anos. Transcrevemos abaixo alguns trechos para reflexão dos leitores, independentemente da religião professada, devido à sua relevância e oportunidade.

 

“Caso a humanidade encarnada decida seguir o infeliz caminho da III Guerra Mundial, uma guerra nuclear de consequências imprevisíveis e desastrosas, aí então a própria mãe Terra, sob os auspícios da Vida Maior, reagirá com violência imprevista pelos nossos homens de ciência. O homem começaria a III Guerra, mas quem iria terminá-la seriam as forças telúricas da natureza, da própria Terra cansada dos desmandos humanos, e seríamos defrontados então com terremotos gigantescos; maremotos e ondas (tsunamis) consequentes; veríamos a explosão de vulcões há muito tempo extintos; enfrentaríamos degelos arrasadores que avassalariam os pólos do globo com trágicos resultados para as zonas costeiras, devido à elevação dos mares; e, neste caso, as cinzas vulcânicas associadas às irradiações nucleares nefastas acabariam por tornar totalmente inabitável todo o Hemisfério Norte de nosso globo terrestre.”

 

E ainda: “Nosso Brasil como o conhecemos hoje será então desfigurado e dividido em quatro nações distintas. Somente uma quarta parte de nosso território permanecerá conosco e aos brasileiros restarão apenas os Estados do Sudeste somados a Goiás e ao Distrito Federal. Os norte-americanos, canadenses e mexicanos ocuparão os Estados da Região Norte do País, em sintonia com a Colômbia e a Venezuela. Os europeus virão ocupar os Estados da Região Sul do Brasil unindo-os ao Uruguai, à Argentina e ao Chile. Os asiáticos, notadamente chineses, japoneses e coreanos, virão ocupar o nosso Centro-Oeste, em conexão com o Paraguai, a Bolívia e o Peru. E, por fim, os Estados do Nordeste brasileiro serão ocupados pelos russos e povos eslavos. Nós não podemos nos esquecer de que todo esse intrincado processo tem a sua ascendência espiritual e somos forçados a reconhecer que temos muito que aprender com os povos invasores”.

 

Quando lemos estas linhas, ficamos muito apreensivos, pois identificamos um elevado grau de correlação entre o seu enunciado e aquilo que está a ocorrer em nosso mundo. Para muitos especialistas na área, a 3ª guerra mundial já começou em várias expressões do Poder Nacional, restando apenas a sua fase final, a militar, de forma mais abrangente.

 

É fato notório que as nações mais desenvolvidas não possuem recursos naturais, sequer água, para manter seu padrão de desenvolvimento. Algumas das menos desenvolvidas (por exemplo, o Brasil) os possuem em abundância, porém além de não aproveitá-los de modo satisfatório, ainda despertam a cobiça dos “donos do mundo”, interessados em sua posse e usufruto. Para isto, progressivamente, vão promovendo campanhas com farta utilização de seus vastos recursos financeiros, comprando consciências corruptas, criando ONGs internacionais e outras ditas nacionais, com o claro objetivo de estabelecer a cizânia entre os brasileiros. Jogam Irmãos contra Irmãos sobre diversos pretextos. Ora etnias contra etnias, sexo contra sexo, religião contra religião. Até a recomendação do Clube de Roma de controle do crescimento demográfico através do incentivo à propagação do homossexualismo está sendo implantada com sucesso no mundo, em especial no Brasil. A demarcação de “terras indígenas” abriu o caminho sem volta de perda da Soberania Nacional e da Integridade do Patrimônio Nacional.

 

Para facilitar a consecução de seus nefastos objetivos promovem o enfraquecimento das Forças Armadas, bem como o desarmamento dos cidadãos, com a cooperação de verdadeiros traidores da Pátria. O partido de Silvério dos Reis cresce assustadoramente. O recado dado com a invasão do Iraque, do Afeganistão, o ataque à Líbia e outros episódios é muito claro. Ou deixam-se explorar ou serão dominados “manu militari” os países ricos em recursos naturais. E a diferença entre os países, considerando-se a expressão militar do Poder Nacional é assustadora. Os EUA possuem uma hegemonia avassaladora e impedem que nações com potencial de tornarem-se perturbadoras da nova ordem mundial sejam dominem a tecnologia nuclear e sequer consigam autonomia convencional.

 

Somente a China atualmente possui algum poderio militar, mas insuficiente para equiparar-se à potência hegemônica. E pensar que há quarenta anos, o Brasil era superior à China em importantes indicadores de toda ordem. Daí que é assustadora a previsão de Chico Xavier. De fato, a Iugoslávia e outros países, outrora prósperos, são outras demonstrações óbvias. Eram países ricos, capazes de fazer sombra aos mais ricos, esfacelados em pequenas nações, criadas de fora para dentro, com conflitos permanentes entre eles, por intermédio de sangrentas guerras sem fim. Se pelas razões expostas no texto de Chico Xavier ou outras quaisquer, aqueles povos de fato resolverem fazer o descrito, quem conseguirá impedir? A administração brasileira irá se queixar a quem está comandando a invasão sob qualquer pretexto?

 

Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br

Página: www.brasilsoberano.com.br

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publicado por Azunizar às 00:38

Aécio pede apoio.

Domingo, 08.06.14

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publicado por Azunizar às 00:32

Dívida Pública a maior fraude de todos os tempos...

Quinta-feira, 05.06.14

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publicado por Azunizar às 04:09

OSHO

Segunda-feira, 02.06.14

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publicado por Azunizar às 16:42

O poder da energia sexual

Segunda-feira, 02.06.14

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publicado por Azunizar às 03:01

Um tabu que sangra o Brasil!!!

Domingo, 01.06.14

 

UM TABU QUE SANGRA O BRASIL

 

O Brasil perde cada vez mais dólares com as remessas de lucros e dividendos das empresas estrangeiras instaladasno país.
Arquivo
A isenção sobre as remessas, aprovada no governo FHC, tornou-se um desestímulo à reaplicação dos lucros em uma economia carente de investimentos.
por: Saul Leblon/Carta Maior
Em abril foram remetidos US$ 3,2 bi; US$ 9 bilhões no primeiro quadrimestre de 2014.
No ano passado, lucros, dividendos e royalties remetidos às matrizes totalizaram quase US$ 40 bilhões.
Equivale à soma dos gastos na construção das usinas de Jirau, Belo Monte, SantoAntônio e a refinaria Abreu e Lima.
Representa quase 50% do rombo externo do período, de US$ 81 bi (3,6% do PIB).
Não há problema, diz a ortodoxia. Com a liberdade de capitais, o fluxo de investimentos diretos, e os especulativos, cobre o rombo, ou quase todo ele.
De fato, o ingresso anual de capitais na economia brasileira oscila em torno de US$ 60 bilhões (a diferença em relação ao déficit cambial total é zerada com captações em títulos).
Parece um lago suíço. Mas não é.
As correntezas submersas das contas externas, embora muito distantes da convulsão vivida no ciclo de governo do PSDB –quando as reservas cobriam poucos meses de importações e eram tuteladas pelo FMI- mostram uma dinâmica estrutural conflitante.
As exportações não conseguem gerar um superávit suficiente para cobrir a fatia expressiva das remessas e gastos no exterior.O declínio nos preços das commodities e a baixa competitividade das exportações industriais (associada à expansão das importações) completam a espiral descendente dos saldos comerciais.
Em 2013 a diferença entre embarques e desembarques deixou apenas US$ 2,561 bilhões no caixa do país, pior resultado da balança comercia desde o ano 2000.
Em 2014, apesar da melhora refletida em um superávit mensal de US$ 506 milhões em abril, o acumulado no quadrimestre ainda é negativo: menos US$ 5,5 bilhões de dólares.
Em tese, haveria aí um paradoxo: como uma economia onde o capital estrangeiro acumula lucros tão robustos e remessas tão generosas (US$ 9 bilhões entre janeiro e abril), exporta tão pouco?
Duas lógicas se superpõem na explicação do conflito aparente.
A primeira decorre da inexistência de sanções que desencorajem as remessas.
Essa atrofia reflete a evolução política do país.
Em 1952, Vargas instituiu um limite de repatriação de 10% sobre os lucros do capital estrangeiro.
Em 20 de janeiro de 1964, Jango, certo de que estava assinando sua deposição, sancionou e especificou barreiras às remessas no decreto 53.451.
Estava correta intuição do presidente.
O golpe de 1964 eliminou a restrição quantitativa em 1965 - os 20% anuais de retorno do capital e os 10% sobre os lucros foram substituídos por um imposto progressivo.
O mecanismo penalizava adicionalmente remessas acima de 12% do capital médio registrado no triênio anterior. Buscava-se, teoricamente, induzir a permanência do recurso no país na forma reinvestimento, sujeito apenas ao imposto na fonte.
A ‘boa’ intenção da ditadura foi derrubada com a emergência do ciclo neoliberal, que eliminou o imposto suplementar em 31 de dezembro de 1991, no governo Collor.
A escalada do desmonte incluiu ainda um corte na alíquota do Imposto de Renda sobre remessas , que caiu de 25% para 15%.
Finalmente, em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, a Lei 9.249 reduziu a zero a alíquota, instituindo a isenção total de imposto sobre as remessas de lucros e dividendos.
É sugestivo que os mesmos veículos que rasgam manchetes para a erosão de divisas na conta de turismo, silenciem diante dessa sangria gerada pelo capital estrangeiro, cujo controle é uma espécie de tabu da agenda nacional.
Embora descabido para um país que enfrenta dificuldades em gerar saldos com exportações, a verdade é que o débito acumulado pelos viajantes brasileiros nas contas externas (US$ 2,3 bilhões em abril e US$ 8,2 bi no ano) é inferior ao fluxo das remessas do capital estrangeiro.
Mas isso não repercute. Talvez porque envolva não apenas uma diferença contábil.
A intocabilidade que cerca o capital estrangeiro sonega um debate que precisa ser feito para destravar a máquina do desenvolvimento brasileiro.
O tabu, na verdade, blinda escolhas políticas feitas nos anos 90, cujos desdobramentos explicam uma parte importante das dificuldades estruturais para a economia voltar a crescer de forma expressiva.
O regime facultado ao capital externo, associado à sofreguidão das privatizações nos anos 90, instalou no país uma azeitada plataforma de remessas de divisas, dissociada de contrapartidas equivalentes do lado exportador.
As privatizações dos anos 90, mas também os investimentos estrangeiros e aquisições predominantes nas últimas décadas, concentraram-se em áreas de serviços –chamadas non-tradables, não comercializáveis no exterior.
Ou seja, criaram-se direitos de remessas permanentessem expandir proporcionalmente o fôlego comercial da economia.
A desestruturação da taxa de câmbio, traço que se arrasta desde o Real ‘forte’, completou a base de um sistema manco para dentro e para fora.
Três muletas se atropelam nesse tripé: exportações industriais declinantes e importações ascendentes, devido ao câmbio valorizado, e sangria desmedida nas diversas modalidades de remessas do capital estrangeiro.
O Brasil não vive uma asfixia externa, como a da crise da dívida nos anos 70 e 80, em parte decorrente de empréstimos que, de fato, ampliariam a capacidade e a infraestrutura do sistema produtivo.
Mas está constrangido no flanco externo por um descompasso estrutural intrínseco ao regime concedido ao capital estrangeiro.
O pano de fundo incômodo traz pelo menos um desdobramento positivo.
A ideia de que as condições de investimento e financiamento na economia devem estar atreladas –inexoravelmente— ao padrão de liberação financeira dos anos 90 não se sustenta mais.
As facilidades desmedidas oferecidas ao capital estrangeiro não redundaram em um salto no patamar de investimento, tampouco agregaram um novo divisor de competitividade, ademais de nada acrescentarem à inserção da indústria local nas cadeias de suprimento e tecnologia que dominam o capitalismo globalizado.
O insulamento regressivo não é a alternativa.
Mas as evidências demonstram que os protocolos destinados ao capital estrangeiro não servem para gerar os efeitos multiplicadores necessários ao aggiornamento do parque industrial e à inserção internacional da economia.
Na verdade, a isenção concedida às remessas fez o oposto.
Incentivou o não reinvestimento de lucros, promoveu o endividamento intercompanhias (entre filial e matriz), exacerbou a consequente espiral dos juros e deslocou a ênfase do resultado operacional para a esfera financeira.
Uma conta grosseira indica que o capital estrangeiro remeteu nos últimos 11 anos cerca de US$ 240 bilhões, para um estoque de investimento da ordem de US$ 720 bi.
A relação soa favorável, não fosse a qualidade desse fluxo, boa parte, repita-se, destinado a aquisições de plantas já existentes e prioritariamente focado em atividades não geradoras de divisas.
Não apenas isso.
O líder em remessas de lucros e dividendos nos últimos dez anos, o setor automobilístico, responsável por quase 14% da sangria desde 2003, não exibiu qualquer compromisso com o país quando se instalou a crise internacional.
À renúncia fiscal sobre as remessas veio se sobrepor, então, novas demandas por isenções de impostos, a título de se evitar demissões, sem que de fato se tenha assegurado a garantia do emprego ao trabalhador brasileiro.
O conjunto resgata o tema do controle de capitais como uma ferramenta oportuna, legítima e indispensável à reordenação do desenvolvimento brasileiro.
Chegou a hora de desmascarar um tabu que sangra o Brasil.
Fonte:http://www.institutojoaogoulart.org.br/noticia.php?id=11181&back=1

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publicado por Azunizar às 18:52

Desarmamento brasileiro - no que deu...

Domingo, 01.06.14

 

 

O campo da segurança pública deveria ser imune aos experimentos ideológicos, pois nele as cobaias são os indivíduos, os cidadãos que formam a população de um país. Assim, quando a experiência falha, é essa cobaia que acaba morrendo, e isso, infelizmente, é o que vem se repetindo no Brasil.

 

O país escolheu o caminho errado quando identificou o grave quadro de violência homicida em que estava imerso, buscando soluções que passavam longe da real causa do problema e que, apenas, pretendiam transferir para a sociedade a responsabilidade por ele. Os resultados foram catastróficos e, hoje, o quadro homicida brasileiro é o pior desde que começou a ser pesquisado, há quase 35 anos.

Os dados estão disponíveis na prévia da edição 2014 do "Mapa da Violência", o mais confiável do país e que tem reconhecimento oficial pelo Ministério da Justiça, por se basear no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. De acordo com ele, o país da Copa do Mundo de Futebol e dos próximos jogos olímpicos alcançou em 2012, o ano mais recente com dados contabilizados, seu recorde anual absoluto de homicídios: 56.337 vítimas, com a maior taxa histórica desde o início de seu cômputo (em 1980), de espantosos 29 assassinatos por 100 mil habitantes.

São números impressionantes, maiores, até mesmo, do que os de países em guerra. Sua explicação, embora possa incluir aspectos mais complexos, como tudo em segurança pública, apresenta um fator preponderante para o agravamento do quadro: o erro do desarmamento civil.

A ideia de desarmamento foi introduzida oficialmente no Brasil em 1997, quando foi promulgada a primeira lei efetivamente restritiva ao porte de arma pelo cidadão (Lei nº 9.437/97), através da qual foi também criado o SINARM - Sistema Nacional de Armas, destinado ao rigoroso controle de sua circulação legal. Poucos anos depois, no final de 2003, a legislação se tornou ainda mais proibitiva, com o "estatuto do desarmamento", que teve como grande objetivo, justamente, reduzir a quantidade de homicídios no país. Tratava-se da colocação em prática de uma ideologia desarmamentista há muito elaborada pela ONU, ainda que sem nenhum exemplo comprovadamente positivo.

Obviamente, de nada adiantou. Os homicídios, como visto, não foram reduzidos, mas, ao contrário, chegaram agora à sua maior marca, e o que se dizia ser uma solução mágica se tornou um inquestionável e grandioso fracasso. Instituindo como regra geral a proibição à posse e ao porte de armas, o estatuto do desarmamento começou a produzir efeitos em 2004, ano em que foram registrados no Brasil 48.374 homicídios. Quatro anos depois, com a quase extinção prática do comércio legal de armas, os números chegavam a 50.113 (2008) e desde então vêm numa ascendente, até o recorde de 56.337, registrado em 2012.

No mesmo período, a quantidade de armas registradas no país despencou. Dos cerca de nove milhões de registros que compunham o quadro inicial do SINARM, hoje apenas subsistem aproximadamente 600 mil, diante das grandes restrições impostas ao cidadão, até mesmo para a renovação daqueles registros que já existiam. A lei, assim, além de não contribuir para a redução de homicídios, provocou um enorme descontrole na circulação de armas no país, produzindo um efeito diametralmente oposto ao que se desejava. A realidade prática do experimento ideológico desarmamentista acabou indicando que a redução das armas legalmente em circulação gera um crescimento na quantidade de mortes intencionalmente violentas.

A compreensão deste aumento não é difícil. A questão é que políticas desarmamentistas, no Brasil ou em outros países, somente têm a possibilidade de afetar os crimes passionais, aqueles tratados no "Global Study on Homicide - 2014" da própria ONU como "interpersonal crimes", cometidos por impulso e para os quais ter legalmente uma arma de fogo poderia ser um facilitador. Contudo, a participação desses crimes na quantidade total de homicídios no Brasil é ínfima, pois no país, de acordo com o mesmo estudo, a causa preponderante para os homicídios é a prática habitual de atividades criminosas - homicides related to other criminals activities -, ou seja, os assassinatos brasileiros têm relação direta com outros crimes, sobretudo o tráfico de drogas e os roubos.

Enquanto o Brasil insistia em políticas desarmamentistas que apenas fragilizavam o cidadão, deixou de combater as atividades criminosas das quais realmente decorrem os homicídios. Sem estar no foco das políticas de segurança pública e com a sociedade gradativamente indefesa, a criminalidade se fortaleceu e, com isso, mais e mais mortos vão sendo contabilizados.

 

O quadro é extremamente preocupante. O aumento da taxa de homicídios de 2011 para 2012 chegou a 7% e seu número absoluto já se fixou na casa dos 50 mil há 5 anos. Se o foco não for alterado e as políticas de segurança pública não passarem a entender o cidadão responsavelmente armado como um aliado, ao invés de um inimigo, o ano de 2016 poderá revelar mais recordes para o Brasil, porém, sem nenhuma relação com as disputas olímpicas que aqui acontecerão, mas sim com aqueles que, vitimados pela criminalidade, não as poderão assistir.

 

Fonte: http://port.pravda.ru/news/cplp/31-05-2014/36845-desarmamento_brasil-0/

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publicado por Azunizar às 18:49


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